"Desde a idade de seis anos eu tinha mania de desenhar a forma dos objetos. Por volta dos cinquenta havia publicado uma infinidade de desenhos, mas tudo que produzi antes dos sessenta não deve ser levado em conta. Aos setenta e três compreendi mais ou menos a estrutura da verdadeira naturaza, as plantas, as árvores, os pássaros, os peixes e os insetos. Em consequência, aos oitenta terei feito ainda mais progresso. Aos noventa penetrarei no mistério das coisas; aos cem, terei decididamente chegado a um grau de maravilhamento - e quando tiver cento e dez anos, para mim , seja um ponto ou uma linha, tudo será vivo." (Katsuhika Hokusai, séc. 18-19)

28.6.08

Lobo Occiptal

A ambiguidade perceptiva não é apenas um comportamento estranho característico da organização do sistema visual. Ela nos diz algo sobre a organisação de todo o cérebro e como ele nos faz conscientes da informação sensorial.

20.4.08

"O equivalente latino do termo grego techné è ars, que significa, na verdade, "manobra", (Dreh). O diminutivo de ars é articulum -pequena parte-, e indica algo que gira ao redor de algo (como por exemplo a articulação da mão). Ars quer dizer, por tanto, algo como "articulabilidade" ou "agilidade", e artifex ("artista") quer dizer "impostor". O verdadeiro artista é um prestigiador, o que se pode perceber por meio das palavras "artificio", "artificial" e até mesmo "artilharia". Em alemão, um artista é um Konner, ou seja, alguém que conhece algo e é capaz de fazê-lo, pois a palavra "arte" em alemão, Kunst, é um substantivo que deriva do verbo "poder", a palavra "artificial", gekunstelt, provem da mesma raiz. (Vilém Flusser - O mundo codificado)

3.4.08

A pintura corporal é a união das Artes com a anatomia humana, que se unem para expressar a beleza de cada parte do corpo, e transformá-la em um elemento artístico. O Homem sempre pintou seu corpo como um habito cultural que vem de encontro com a estética, religião, ritos, festas e as guerras, os diferenciando entre si e de outras tribos; Os índios brasileiros são um exemplo disto. Para nós “ocidentais”, pintar o corpo é uma expressão de vaidade, sentimentos e desejos primitivos assim como a arte. Na busca de unir novos suportes com diferentes técnicas,surgiu a idéia de fazer gravuras e desenhos sobre a pele. Aqui os elementos da cultura indígena, dão espaço a um novo traço, uma nova linha que carrega com sigo elementos da nossa cultura. O corpo que por si só já é uma obra de arte, aqui aparece como suporte ressaltando e sendo ressaltado pela pintura. O resultado é uma mistura de diferentes técnicas, que se relacionam de forma harmônica construindo um trabalho único, cada técnica ocupa seu espaço sem interferir na outra, elas trabalham em conjunto. O que sería somente uma “performance”, uma pintura de caráter efêmero é então capturado por registros fotográficos, acrescentado uma nova técnica e uma nova forma de ver o trabalho. Com a fotografia conseguimos que estes desenhos e pinturas se perdurem pelo tempo eternizando e recriando tradições.

13.1.08

Vista de Marte

Video Arte - Dirigido por Diogo Dubiela e Marcieli Compagnon

12.1.08

Essencial

"O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê. E nem pensar quando se vê, nem ver quando se pensa. Mas isso (triste de nós, que trazemos a alma vestida), isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender"

Pessoa.

Video Arte - Dirigido por Diogo Dubiela e Marcieli Compagnon

18.12.07

A arte vista do abismo

A arte não é um estado cultural, o do bem-estar, do consumo, e até dos privilégios de que já desfrutam minorias afluentes. A arte só o é como o possível, o que pode ser, o que ainda não é, mas está anunciado nas próprias telas da Marcieli. Esse possível só o é, por sua vez, se mediado pela inconsciência da artista, pelo conhecimento sempre crítico. Deslizar sobre esta tela nos põe diante de um conjunto grande de incertezas em relação à sociedade contemporânea e à nossa incapacidade de sair do abismo que elas representam. De fato, isto é inédito.

Diogo Dubiela

Vídeo Arte - Dirigido por Diogo Dubiela

19.11.07

Doce negativo

Eu sinto que não existi, que nasci da lama como uma flor de lótus e tomei o corpo daquela criança feliz que teve seu espírito levado embora (...) . Alimento o pensamento e tenho medo de ser um ilusão, de não ter tido passado, de ser o personagem principal de um complô que passa de madrugada em um canal multimilionário à custa do meu reality-show. Um canal que minha tv obviamente não tem. Tenho medo de ser uma criação de laboratório sem capacidade para digerir as informações falsas do passado. Não sei se existo ou se sou uma mera lembrança de uma juventude. Sinto-me fora do meu corpo diversas vezes, vendo tudo de fora, de cima, como um mero telespectador de minha própria vida. Desconfio dos ponteiros e me transporto constantemente através de músicas, cheiros e fotos para outras frações de tempo e galáxias.

11.10.07